MATO GROSSO

População de rua aumenta 19% no período de um ano em MT


Por Juliana Alves | GD

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Imagem ilustrativa. (Foto: Banco de imagens freepik)

O número de pessoas em situação de rua cresceu 19% em apenas um ano em Mato Grosso, conforme dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua. O levantamento é feito com base nas informações do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) e indica que, em 2024, pelo menos 3.603 pessoas estavam desabrigadas nas ruas do estado. Desse total, 50% está concentrado nos seis principais municípios da baixada cuiabana, sendo 1.561 pessoas apenas na Capital. “Viver em situação de rua hoje não é nem viver, é sobreviver”, desabafa Rúbia Cristina de Jesus, coordenadora do Movimento Nacional da População em Situação de Rua de Mato Grosso.  

 

Os números mostram um perfil claro da exclusão social. Em Mato Grosso, 91% da população em situação de rua são homens, 82% dessas pessoas são negras e 58% estão sem instrução ou possuem o ensino fundamental incompleto.  

 

“As políticas não chegam. A moradia não chega. A população em situação de rua não é só um problema da assistência social, eu acho que falta tudo. Falta educação, falta saúde, principalmente moradia, que é a porta para todas as outras políticas”, pontua Rúbia.  

 

A coordenadora explica que, com uma moradia, a pessoa possui o comprovante de endereço que é necessário para muitas vagas de emprego. Com isso, ela possui mais possibilidades para se alimentar melhor e cuidar da própria saúde.  

 

“Muitas pessoas em situação de rua estão com diabetes, hanseníase e outras doenças negligenciadas, que a pessoa nem mesmo conhece. É muito difícil tratar uma doença em situação de rua quando também falta alimento. A gente vê muitas pessoas doentes e tendo até o pé, a perna amputados”.  

 

Cuiabá possui um serviço de Consultório na Rua, que oferece atendimento itinerante a pessoas em situação de rua. Rúbia destaca relatos de que muitas vezes a população busca por atendimento em postos de saúde, mas trabalhadores da área não querem atender e os mandam buscar pela equipe do Consultório na Rua. Para ela, a única política que funciona é a segurança pública.    

 

“A gente recebe vários relatos, não só no interior, mas em Cuiabá mesmo, a população de rua não tem direito a ficar na calçada. No Beco do Candeeiro mesmo, eles não estão mais podendo ficar ali onde a polícia chega, espanca, não importa se é mulher, homem, idoso. Eles estão fazendo revista, os masculinos nas mulheres. É bem complicado, espancam, colocam para fora. Eles estão ficando mais na avenida, não no beco, porque estão coagidos”.  

*Fonte: Juliana Alves | GD


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